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O SABOR DA SAUDADE

  Já dizia o mestre Machado, em brilhante metáfora: uma das desvantagens da longevidade é a orfandade em que ficamos dos entes queridos, que vão, em número cada vez maior, estudar a geologia dos campos santos. Aos 78 anos, contabilizo um número razoável de perdas: avós, pais, irmãos, muitos parentes, amigos e amigas. Não são poucos os que me antecederam na viagem e espero rever; mas, para ser franco, não tenho pressa do reencontro. Até porque a saudade tem uma característica única. Comparo-a ao morcego que, segundo o velho ditado, “morde e assopra”, diminuindo a dor da mordida. A ausência dói, sim; mas as boas lembranças nos reconfortam, trazendo de volta a pessoa amada.  Percebi isto, mais uma vez, no domingo passado, o chamado Dia de Finados. E, mais uma vez, percebi a velocidade com que as coisas mudam: quando eu era jovem, o Dia de Finados era uma ocasião de silêncio e contrição absolutos. Nem o rádio podíamos ligar, lá em casa; e creio que, também, nas casas da ma...

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