ECOS DE UMA SAUDADE
Minha mãe nasceu em outubro de 1921. E morreu em janeiro de 2020, quando começávamos a fazer planos para o seu aniversário de 100 anos. Como viveu: tranquilamente, em paz, durante uma noite que deveria ser como todas as outras. Embora pareça mais duro, eu prefiro dizer "morreu". Recuso-me a usar o eufemismo "nos deixou". Até porque, acredito que os entes amados não nos deixam; continuam sempre conosco. Gosto de pensar que, ao menos enquanto meus filhos ainda estiverem aqui, ela não nos deixará; a lembrança vive e mantém vivos os momentos que passamos juntos; valeram a pena. Bons ou menos bons. Ela me apoiou sempre, nos tempos mais difíceis da minha vida. Conservadora convicta, foi contra o meu divórcio; mas superou os limites e acabou adotando e amando a mulher que escolhi para seguir comigo. Não sei se ela terminou o ginásio; naquele tempo, era comum as moças casarem cedo, e minha mãe se casou aos 15 anos. Mas tinha alma de artista: tocava piano e escrev...









