PRA DIZER TCHAU
"Não deu nem tempo de dizer que o amo!". Esta é a principal queixa das pessoas que perdem os seus entes queridos, quando à dor da perda se junta o arrependimento de não terem falado de amor, enquanto lhes era possível. E, acreditem, eu as entendo. Minha mãe morreu enquanto dormia, à noite, e só fui saber pela manhã; meu pai e dois de meus irmãos já encontrei mortos, quando cheguei ao hospital. Minha família tem síndrome de mortes repentinas; problemas de coração, acho. Numa sexta-feira eu saía do trabalho, quando vi que meu irmão me ligava. Cansado, quase nem atendo. Até porque pretendia ir vê-lo no dia seguinte. Mas pensei melhor e atendi; conversamos um bocado. E ainda bem que o fiz! No outro dia, veio o infarto; não cheguei a vê-lo. Com minha mãe, coisa parecida: não estive ao seu lado, no último momento; mas passava com ela muitas horas, em conversas amenas. Com meu pai bebi uma cerveja, na véspera da ida. São lembranças que me deixam triste: foram per...









