SOBRE CONSELHOS
Não gosto de dar conselhos.
Já tenho
problemas em assumir as consequências dos meus próprios erros; não me atrai em
nada, a ideia de ter a menor participação em erros alheios. Cada um que faça as
suas próprias burradas.
Mas, se eu fosse
dar um conselho, com certeza seria este: dê sempre o melhor de si, em tudo que
estiver fazendo. Porque nem tudo vai dar certo; e a frustração já é castigo
suficiente, quando dá errado.
Pior ainda será
o remorso, se você souber que não fez tudo que poderia ter feito; aí, é soda; e limonada, ainda por cima. Uma coisa é ver que não conseguiu; outra, saber que você
teve culpa nisso.
Entendeu? Eu, pelo
menos, sou assim: posso viver tranquilamente, se não alcançar algo que queria;
mas não me sentiria bem, se não soubesse que fiz tudo que podia, para conseguir
chegar lá.
Percebi
claramente isto, no fim do meu primeiro casamento. Traumático, claro, principalmente
por causa dos filhos; mas consegui seguir em frente, porque tinha a consciência tranquila: fiz tudo que podia.
E, talvez por
isto, a separação não me custou os filhos. Reduziu, claro, o tempo de
convivência; mas não nos separou. E até hoje estamos juntos, apesar das distâncias entre as cidades onde moramos.
Este seria o
meu segundo conselho: fale a verdade, sempre; possível ou não. A mentira se
reproduz, mais ligeiro que os coelhos: uma leva a outra e, quando a pessoa vê,
está presa em uma teia de medo.
É algo que já
escrevi: "Melhor corar, ao dizer uma verdade, do que amarelar ao ser apanhado
em uma mentira.". E, acreditem, é mesmo; já passei por ambas as experiências, e
sei muito bem o que digo.
A vida nos
ensina muito. Mas é como qualquer escola: de nada adianta o professor, se o
aluno não está disposto a aprender; cada pessoa tem o dia certo de aprender
cada lição que lhe seja mostrada.
E este seria,
talvez, o terceiro conselho: "Nunca procure levar alguém pelo caminho que você
acha melhor.". Cada pessoa é diferente, e o seu caminho pode não ser o melhor
para ele; quase nunca é.
A vida gira em
círculos, e aqui voltamos ao início; este é o motivo pelo qual não gosto de dar
conselhos. Não importa o quanto eu ame uma pessoa, não me cabe o direito de poupá-la
do que julgo erros.
Porque cada um
tem o direito de cometer os seus próprios erros, e aprender com eles; como
aconteceu e acontece comigo. Como eu poderia ter chegado até aqui senão tropeçando, caindo e levantando?
É assim que
vamos em frente; que aprendemos e nos tornamos melhores. Ou não. Mas este é um
direito de cada um: errar e acertar, aprender e evitar os erros; ou repetí-los,
enquanto seja necessário.
Por isto, não gosto de dar conselhos.
Tenho fixação nesta música, não é? ;)



Comentários
Postar um comentário