A PAZ


Sou um amante convicto da paz.

E, quando digo isto, não me refiro à paz mundial; embora, logicamente, a deseje. Penso exatamente como diz Roberto Carlos: "Não importam os motivos da guerra; a paz é mais importante do que eles.".

Na verdade, acredito que todas as guerras (e a violência, de forma geral) dependem de três causas: orgulho, medo e cobiça. Não consigo ver qualquer outro motivo para elas.

Mas estou divagando. Como eu dizia, aqui não me refiro à paz mundial: trato, especificamente da paz ao meu redor; que, por mais que eu queira negar, é importante para a minha própria paz interior.

Sim: a verdade é que o ambiente se reflete no meu estado de espírito. Sei que não devia ser assim e adoraria ser tipo um monge budista, capaz de mergulhar em profunda meditação, num ambiente conturbado.

Mas não sou; e, para ser sincero, nem acredito que alguém seja. Odeio zoada ao meu redor, principalmente quando oriunda de discussões acaloradas; pior ainda, se recheada de ofensas ou agressões verbais.

Como se diz, no popular, odeio "barracos"; chamar atenção não é minha praia. Não sei se já falei aqui, mas entrei em muitas brigas, quando era bem mais jovem; sempre preferi "sair no braço", do que trocar xingamentos.

Acho ridículo dois (ou mais) adultos discutindo, ofendendo um ao outro. Dizem que "da discussão nasce a luz", mas só acredito nisso se cada um fala por sua vez e ouve calado o outro, quando ele tem a vez de falar.

Não, não me acho o "dono da verdade". Mas ninguém vai me convencer de coisa nenhuma, gritando ou ofendendo; nem falando ao mesmo tempo que eu. Vai ter que usar argumentos, falar com calma e me ouvir, também.

Como já disse aqui no blog, eu não sou nada assertivo; já perdi dois cargos de gerência por isso. E, na minha idade, já não dá pra "sair no braço"; por isso, evito discussões: digo "tá certo", calo a boca e vou em frente.

Aprendi que a nossa escala de valores muda, com o tempo. E, cada vez mais, a paz está no topo da minha escala; a paz ao meu redor, que se reflete no meu interior e na minha própria paz.

Carnaval? Festa de Largo? Show ao Vivo? Nada disso; o meu programa favorito é ficar em casa, assistindo shows no Youtube, ou filmes no streaming. Também posso ir a um barzinho, com som ao vivo (voz e violão), ou coisa assim.

De vez em quando um passeio, uma viagem com a família, para conhecer lugares novos ou rever alguns queridos. Sempre com estadia e passagens compradas antecipadamente, ou no meu carro. Sempre com tranquilidade.

Sossego, amigos, é o que eu quero hoje. Tive uma vida meio agitada, com festas, viagens, esportes e mais algumas coisinhas; já tive a minha quota de badalações, eventos, barulho e confusões. Posso dizer que até demais.

Agora, chega. Dois descolamentos de retina e quatro stents no coração me impedem o esporte, e as badalações já não me atraem o mínimo; o que eu gosto está em casa, ou ao meu redor, e quero ter sossego, para desfrutar da vida.

Durante o tempo que me resta.     

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