DA CONVIVÊNCIA

 


Relacionamento pressupõe a convivência de, pelo menos, duas pessoas.

É um pouco complicado; até mesmo em função do egoísmo e do orgulho que existem em cada ser humano normal. É difícil conciliar vontades, renunciar a desejos, hábitos e opiniões.  

Há duas alternativas: ambos aprendem a ceder, cada um um pouco; ou um se submete totalmente ao outro. Anula-se como pessoa e passa a agir sempre como o parceiro quer.

Aqui em nosso Brasil, até mesmo por uma questão cultural, esse papel de submisso costuma ser outorgado à mulher. O homem é o provedor e a mulher lhe deve obediência irrestrita.

Acontece que ninguém consegue renunciar a si mesmo. A submissão é como uma represa: a pessoa se enche de amargura e revolta, enquanto pode suportar; às vezes, a barragem cede.

Daí tantos casos de abusos e agressões morais, verbais e físicas, chegando ao extremo do feminicídio (que, lamentavelmente, parece não estar na moda apenas como palavra!).

Ou o inverso: mulheres que agridem ou chegam a matar o companheiro, ou encomendar a sua morte. Mas estes casos são incomuns: o normal é que o (a) submisso (a) sofra calado (a).

Estou abordando este assunto, porque vejo casais assim à minha volta. Claro, muito longe dos extremos; apenas tristes, amargurados, arrastando a vida, em vez de vivê-la por inteiro.

A vida é limitada. Pode ser curta, ou não; mas, enquanto existir, merece ser bem vivida até o último minuto. Se você escolheu vivê-la a dois, viva a dois; basta que aprendam a viver juntos.

Você não pode viver a vida de outro; nem outro pode viver a sua. O grande segredo da convivência é o respeito ao outro; às suas ideias e opiniões, e ao direito de ser ele mesmo.

Sim; é isso. O amor não pode existir onde não existe respeito mútuo; onde não há o desejo de fazer o parceiro feliz. E como alguém conseguiria ser feliz, sem poder viver a própria vida?

As coisas que o tempo me ensinou, gosto de passar adiante. Até porque é mais fácil viver, quando a gente tem a humildade necessária para reconhecer as lições que a vida nos traz.

Aqui em casa, aprendemos: cada um cede um pouco. E assim caminhamos juntos, dividindo as emoções; as alegrias e as tristezas. Confiamos um no outro, respeitamos um ao outro.

Também tivemos momentos difíceis; quem não tem? Mas não os superamos com submissão e sim com entendimento; com capacidade de ouvir, entender e sentir o amor em nós.

E, acredite, viver assim é bem melhor!

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