FINAL DE COPA
Estou de volta, depois de 17 dias em um
hotel, em Salvador.
Bem longe de
férias; ao contrário, uma peregrinação por médicos, resolvendo problemas de
saúde. Não a minha, mas a de alguém que se tornou mais caro, para mim, do que
eu mesmo.
Vivi,
praticamente, toda a minha vida em Salvador. Mas, nos quase três anos que estou
em Ilhéus, percebo que a cidade se tornou diferente para mim; mudanças em
muitos aspectos.
Literalmente,
muitos novos caminhos. Muitas obras, um trânsito intenso, alterações nas rotas
a seguir. Também um ambiente diferente, um grande aumento na violência e no
risco.
Já não me sinto
em casa, na minha cidade; sou quase um completo estranho. Assim, quando não
estávamos em algum médico ou exame, ficávamos no hotel; muitas refeições via IFood.
Sem muitas
opções de lazer, acompanhamos vários jogos da Copa do Mundo; inclusive aquele
em que a Noruega não precisou fazer muito, para eliminar um Brasil apático e
desnorteado.
Mas não vou me
estender muito sobre a derrocada do futebol brasileiro: ela já vem acontecendo
há tempos e o Brasil que vi na Copa reflete, quase exatamente, o que vejo no
atual Brasileirão.
Jogadores
desinteressados e desmotivados, mais preocupados com as suas carreiras e os
times onde ganham fortunas; um técnico que, desde cedo, aprendeu a cantar o
hino da Itália.
Um futebol
defensivo e desinteressante, com toques para os lados e para trás; nem um mero
vislumbre do futebol arte, que muito por tempo encantou o mundo. Zico foi,
mesmo, nosso último craque.
Hoje, os
jogadores que merecem algum destaque estão em outras seleções: Kane e
Bellingham na Inglaterra, Vozinha em Cabo Verde, Mbappé na França, Cristiano em
Portugal, Yamal na Espanha.
E,
principalmente, Messi na Argentina; ele é que ditou o ritmo nessa Copa. São
jogadores muito hábeis, sem dúvida; mas, principalmente, são valentes e jogam
com alma, sabendo que amam seus países.
Não sei se vocês
notaram a diferença entre eles e os brasileiros, até mesmo na forma de cantar o hino nacional. Uma diferença marcante, não só na habilidade, mas também no empenho em campo.
Eles correm, se
esforçam, dão tudo de si nas disputas de bola. Eles acreditam, até o fim de
cada partida; sabem que, mais do que jogando futebol, estão defendendo sua bandeira, sua
terra e sua gente.
Por isso, estão na final da Copa do Mundo.
Quem lembra, com certeza tem saudade!



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