EU E A COPA

 

Já torci muito pela seleção.

Acompanhei o primeiro título pelo rádio; naquele tempo (1958), se não me engano, a TV ainda não havia chegado a Salvador. A primeira Copa que lembro de ter visto foi a do tri, em 1970, via TV em cores.

Primeira, não a última. Continuei acompanhando todas; torcendo, organizando a turma para assistir e fazendo verdadeiras festas, que terminavam em grande alegria, ou frustração ainda maior. Mas festas.

As que mais sofri, foram 1982 e 1986. Tínhamos um timaço e não conseguimos nada. Lembro de Zico, um dos melhores jogadores que já vi, entrando em campo e logo depois perdendo um pênalti. Fomos eliminados.

Outro sacrifício foi aquela final contra a França de Zidane, se bem me lembro em 1990, quando se questionou muito a entrada de Ronaldo, mesmo doente. Mas, em 1994, veio mais um título e ficamos felizes.

Eu era, mesmo, um verdadeiro torcedor. Daqueles de bandeira, bandeirola, camisa da seleção, hino tocando alto e muita vibração. De fazer os pratos típicos dos adversários, para comer depois das vitórias.

Algumas vezes, os pratos se tornavam amargos; lembro-me de um macarrão salgado por lágrimas, depois de uma derrota particularmente dolorosa para a Itália. Mesmo assim, sempre valia a pena.

Não sei quando foi que tudo começou a mudar. Talvez quando acabaram os nossos craques e a bola do Brasil se esvaziou; talvez quando a política e os patrocinadores começaram a interferir na escalação.

Com certeza, não lembro exatamente quando foi. Mas, naqueles 7x1 da Alemanha, já não senti mais nada; e, depois daquela Copa, nunca mais tive o menor interesse em acompanhar qualquer outra.

Não sei se mudei eu, ou mudou o futebol. Joguei durante muitos anos e ainda sinto prazer em acompanhar um bom jogo (o que, aliás, está cada vez mais raro), mas daquela emoção de antes, nenhum sinal.

Não acompanho as eliminatórias; não sei quem são os convocados e não tenho o menor interesse em saber quem são. Dessa seleção que está jogando, só conheço Vini e Neymar; pelo racismo e pelas quedas.

Assisti Brasil x Marrocos, porque estava em casa e não tinha nada pra fazer. Pelo mesmo motivo, devo assistir Brasil x Haiti; se eu não estiver enganado vai ser nesta sexta, 9 e meia da noite, não é?

Claro, espero que o Brasil ganhe; pelo menos do Haiti, né? Mas, se perder, acredito que não faz muita diferença. Foi-se aquele tempo da "Pátria de chuteiras"; pelo menos pra mim, há coisas mais interessantes.

Estou naquela: vamos ver como a seleção se comporta, pra ver como me comporto em relação a ela. Para ser sincero, o início não foi muito de entusiasmar, não. Mas vamos ver no que é que vai dar. 

Pra cima deles, Brasil! 

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