MINHA TERCEIRA IDADE

Faço parte, no Whats App, de um grupo que chamamos "Turma da Jovem Guarda".

O nome é meio carinhoso, meio de gozação; já éramos amigos nos tempos de Roberto Carlos e sua (então) Jovem Guarda. Obviamente, hoje estamos todos na casa de 70 e alguns anos; na verdade, somos a Velha Guarda.

É bom recordar músicas e "causos" daquele tempo, com quem conosco os viveu. Às vezes, também discutimos política, futebol e religião, mas tudo nos conformes: conservando, na maioria das ocasiões, o devido respeito.

Bem: há uns dias, postei nesse grupo um vídeo bem-humorado, falando das agruras de envelhecer: endurecimento das juntas, amolecimento da pele e outras coisas, episódios de tosse, reumatismo... enfim, sequelas da idade.

Fiquei meio surpreso com as respostas: vários amigos (e amigas) contestaram, dizendo que não; que estão melhores do que nunca, não sentem o menor peso dos anos, fazem tudo como quando como eram jovens e se sentem jovens.

Claro que estou feliz por eles; mas, ao mesmo tempo, meio decepcionado comigo. Estou chegando aos 78 e, embora tenha boa saúde e quase não vá ao médico, preciso confessar que já não me sinto como era aos 30 ou 40 anos.

Realmente, não sou um modelo de cuidados pessoais: tenho verdadeira ojeriza por academias e, depois de 3 descolamentos de retina, precisei parar com o futebol, o frescobol e outros esportes que amo e pratiquei desde a infância.

Hoje, meus esportes são o dominó e o snooker; não me arrisco em outros. Sempre que podemos, eu e Gilka damos uma caminhada na praia, olhando o mar e conversando; Depois, bebemos uma água de coco. Mas não todos os dias.

Tomo uma batelada de remédios de uso contínuo: para tireoide, açúcar, colesterol, triglicérides, hipertensão, e aspirina para afinar o sangue; além da insulina e do colírio que preciso pingar, três vezes ao dia, para manter os olhos umedecidos.

Em suma: não me sinto jovem, como meus amigos do grupo. Não vou a baladas; não curto muito sair, principalmente à noite, porque prefiro não dirigir no escuro. Os olhos, também, já não enxergam tão bem como antes, na minha juventude.

Acho que a culpa deve ser minha, na maior parte, por conta dessa repulsa por academias e shakes. Vejo todo mundo postando fotos correndo na esteira, levantando pesos com os braços e as pernas, sorrindo. Mas, pra mim, não dá.

Agora, numa coisa concordo com eles: acho que estou na melhor fase de minha vida; assim mesmo, na velhice. Tomando meus remédios, fazendo minhas caminhadas na praia, bebendo minha água de coco, jogando sinuca e vivendo.

Dores no corpo não me incomodam, até porque são muito raras; quase não sinto nenhuma. Adoro passar as noites em casa, com Gilka, no sofá, assistindo filmes ou shows do Youtube, entre taças de vinho, quase sempre acompanhado por queijos.

A terceira idade, que pesa no corpo, para mim liberta a mente. Nos faz pensar de uma forma diferente, superar conceitos e preconceitos, crescer como pessoas e aprender mais rápido do que durante todas as nossas outras idades.

Hoje, acho que o importante é ser feliz todo o tempo possível.

Saber que estou mais perto da morte, me faz valorizar a vida. 

Vídeo

Imagem criada pelo Chat GPT

Comentários

  1. Flávio, tenho a mesma idade que tu, esse ano em novembro, farei 78. E apesar dos joelhos, pelancas, rugas, etc,etc,etc... estou bem ativa e viva! Mas, será que esses amigos realmente estão melhores do que antes: Daí podemos nos perguntar: como estavam antes,rs... Brincadeiras à parte, temos que ficar felizes de estar bem acompanhados e felizes!!! abração, chica

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  2. Cada etapa de la vida es un regalo. Te mando un beso.

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