A ESCOLHA DE SEMPRE
Aprender a viver não é fácil.
Já estou chegando aos oitenta,
e não posso dizer que aprendi. Pelo contrário: a cada dia que passa, percebo
como estou longe de entender a vida, o mundo e as pessoas que me cercam.
Mas vou aprendendo, devagar e
sempre. Não tenho a menor ideia de tudo que se deve fazer; mas, pelo menos, já
sei algumas das coisas que nunca devemos fazer, e isso já é um começo.
Hoje à tarde estava com Gilka no Shopping, e comecei a praticar um dos meus passatempos favoritos: olhar quem passava ao redor, e tentar imaginar como seria a vida de cada pessoa.
Acreditem: é divertido. E acaba sendo um bom modo de cultivar a empatia. Porque, afinal, a empatia começa por tentar entender os outros, para que possamos entender o que sentem.
E não costumamos fazer isso. Desejamos
o melhor para as pessoas que amamos; mas não entendemos que o melhor para elas, pode ser diferente daquilo que achamos melhor.
E, como nos aferramos às
nossas opiniões, insistimos em querer que façam o que dissemos, ignorando as
suas próprias opiniões. Esta, eu acho, é maior causa de brigas e de mágoas.
Porque, assim como nós mesmos,
cada um tem as suas ideias e o seu modo de pensar, que defende o quanto pode. É
difícil renunciar ao que pensamos e acatar uma opinião diferente da nossa.
Entretanto, é preciso fazê-lo,
quando se trata de outras vidas. Cada um tem o próprio caminho e o direito de
escolhê-lo; afinal, ele é que sairá no lucro ou no prejuízo, e desfrutará do
que vier.
Tudo bem educar os filhos,
enquanto são crianças, e mostrar-lhes os caminhos a seguir, já que não são capazes
de fazer as melhores escolhas; mas é preciso respeitar a vontade dos adultos.
Para nós, isto é bem difícil;
mas precisamos aprender a ceder, porque é essencial para a convivência. Ninguém
conseguirá viver com alguém que não o respeita, nem às suas escolhas.
Aprendamos a ceder, portanto,
se queremos ser felizes; e ceder sem rancores. Não adianta fingir concordância,
se nos sentirmos feridos; a cessão, assim como o perdão, deve ser de coração.
É aquela pergunta que tantas vezes
tenho feito aqui: o que vale mais, ter razão ou ser feliz? Claro, cada um tem a
sua resposta. Demorei, mas achei a minha: hoje, sei que prefiro ser feliz.
Pense nisto. E escolha a sua própria resposta; você tem todo direito a ela.



Comentários
Postar um comentário