FLORES E ILUSÕES

 


"... são tantas ilusões, perdidas na lembrança..."

 

Semana passada, eu estava ouvindo a música Noturno, com Raimundo Fagner. Já a ouvi muitas vezes e, desta vez, essa frase me chamou a atenção.

Não sei se com você também acontece isso, mas, de cada vez que leio um livro, determinadas passagens parecem saltar aos meus olhos, conforme as emoções do momento.

Costumo sublinhá-las e meus livros ficam todos riscados, quando os releio muitas vezes; a cada leitura que faço, descubro outros trechos favoritos e os marco, também.

O Profeta e O Pequeno Príncipe são mudas testemunhas desse meu hábito: tão riscados, que não os empresto a ninguém. Cada um que escolha os trechos que lhe dizem mais.

Às vezes, isso me acontece também com músicas (e letras, óbvio); não posso sublinhá-las, mas me despertam reflexões. Amo "My Way", que vejo como minha própria história.

Outras, pelo som, me agradam; ou me trazem memórias do passado; são parte da minha trilha sonora, eu diria. São recordações, boas ou más; me marcaram, de alguma forma.

Talvez por isso, a frase de Noturno me atraiu tanto. Qual de nós não tem tantas ilusões perdidas na lembrança? Quem pode dizer que não sorri ou chora, visitando o passado?  

Quanto mais vivemos, mais ilusões se vão e viram lembranças; que depois se perdem nas brumas do tempo, porque assim são as lembranças. Um dia, também seremos lembranças.

Ilusões nos motivam a seguir em frente; e, quando se perdem, nos ensinam que somos resilientes o suficiente para prosseguir sem elas, apesar da mágoa que as perdas nos causam.

Por isso, vêm e se vão: umas substituem outras. São como flores que brotam, florescem e se abrem, alegrando a nossa vida; e, depois de caídas, servem de adubo para as novas.

Esta, inclusive, pode ser a razão para mantermos as nossas lembranças; porque a maior de todas as nossas ilusões é a de sermos eternos. E fazemos tudo para conseguir mantê-la.

Por ela, evitamos pensar no amanhã; e no depois de amanhã e nos amanhãs que ainda virão. Fingimos esquecer o tempo e os efeitos que nos causa; como se o pudéssemos fazer.

Estes são os pensamentos que o versinho me trouxe. E, como não o posso sublinhar, trago-os para vocês. É uma forma de chamar a sua atenção e saber o que vocês pensam.

O que acham? Chamou a minha atenção.

Comentários

Postagens mais visitadas