O PASSADO E O PRESENTE
Muitas vezes,
eu me pego olhando para o passado.
Relembrando nós
dois, desde o começo. E as lembranças são tão vívidas, que nem sei se as posso
chamar de lembranças; é quase se revivesse nossos dias, lance por lance, hora por hora.
Jovens e
apaixonados, cheios de sonhos e hormônios. Tardes de sol, conversas e cervejas;
os seus olhos, mais claros que o verde do mar. Momentos de paixão, amor com
gosto de quero mais.
Tempos difíceis,
quando resolvemos ficar juntos. Foram-se os primeiros sonhos, caíram as
primeiras cascas douradas; pessoas não se apaixonam por pessoas, mas por seus
próprios sonhos.
Por isso, paixões duram pouco: um sonho não sobrevive ao despertar. Namorados dividem sonhos, casais
dividem problemas; em vez da energia do amor, chega a conta da energia.
E muitas outras. Foi quando descobrimos que nem tudo seria fácil; Ao contrário, podia ser bem difícil. Contas cavam fossas, erguem muros entre casais; a realidade é
inimiga do sonho.
Acho que já
disse aqui, mas vou repetir: nada separa tanto um casal, como as dificuldades
financeiras. No choque brutal entre as necessidades e os ideais, as
necessidades sempre ganham.
O pão alimenta
as pessoas que sonham; mas o sonho não pode nutrir aqueles que precisam do pão,
para continuar vivendo. Dá forças, por algum tempo, mas o mundo haverá de impor-se.
Enfrentamos
esses problemas, me lembro. Agravados pelo ciúme, com você tão linda e tantos
anos mais jovem; tivemos, sim, alguns (e não poucos!) anos difíceis; não podemos negar.
Mas o engraçado
é que, mesmo durante os anos mais complicados, estivemos bem. Sorrimos e
choramos juntos, brigamos e fizemos as pazes; chegamos perto de perder-nos, mas
só perto.
Porque, todo o
tempo, nossos corações estiveram juntos; como se o meu sangue corresse em suas
veias, e o seu estivesse nas minhas. São os milagres do amor, que ninguém pode
explicar.
E, assim, os anos
passaram; as paixões foram ficando para trás. Chegou um dia em que nos olhamos
nos olhos, de uma forma diferente; o desejo renasceu, agora misturado à ternura.
Passamos a nos
conhecer, realmente. Despimos as capas dos sonhos, passamos a nos ver como
pessoas. E a gostar do que víamos um no outro, a aceitar-nos como somos.
Aprendemos a
caminhar juntos, ao longo de todos estes anos; realmente juntos. Sem ilusões;
com conhecimento e aceitação das diferenças. E admiração pelo que o outro é, do jeito que é.
Gosto de olhar para o nosso passado. E lembrar como fizemos o presente.



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