FRASE DE NOVELA


Como diria o Renato Paiva (de funesta memória para o meu Bahia), não sou um "adepto" de novelas; longe disso.

Não por qualquer razão específica; falta de costume, mesmo. Mas agora, já velho e devido à minha curiosidade por assuntos espiritualistas, comecei a acompanhar Gilka, que assiste "A Viagem", na Globo Play; soube que é um "remake", aquela versão com Fagundes e Torloni.

Estou gostando; o tema me interessa. Venho de uma família espírita e já me aventurei pelo kardecismo e pela umbanda; também procurei me informar sobre outras religiões, praticamente todas. Ênfase no "me informar"; aprendi um pouco sobre cada uma. Hoje, respeito todas; e procuro seguir aquilo em que acredito.

Mas deixemos de lado o aspecto religioso, que não é a razão deste post. O foco é a frase que ouvi de um personagem secundário (não me perguntem o nome dele, nem do ator; não gravo, de jeito nenhum!) e achei muito interessante e verdadeira, merecedora de destaque.

Anotem aí, vai entre aspas: "Ninguém pode fazer alguém feliz; a gente só pode compartilhar a felicidade.". Parece tão simples, não é? E, entretanto, a nossa cultura ocidental vai exatamente no sentido inverso: é como se procurássemos, a vida inteira, alguém ou algo que nos fizesse felizes.

Já perceberam? Desde que somos pequeninos, essa ideia é inculcada na gente, por meios que podem ser mais ou menos sutis. Até mesmo os contos de fadas terminam, quase todos, com a célebre frase: "... e viveram felizes para sempre."; como se o casamento fosse um final, e não o início de uma nova busca.

É um condicionamento. E quando a gente para um pouco, pra pensar, acaba percebendo. Passamos todo o tempo em expectativa, esperando o que ou quem nos fará felizes. Pode ser um brinquedo, um amor, um emprego, uma roupa, uma mudança; qualquer pessoa, ou coisa, que traga a felicidade.

Aí, essa pessoa ou essa coisa chega... e passa. No início nos traz alegria, satisfação, contentamento; fechamos os olhos às diferenças entre o que esperávamos e o que veio, e por algum tempo nos sentimos felizes. Mas o problema está exatamente no "por algum tempo".

Incorremos no erro de confundir "alegria" com "felicidade"; e, na verdade, são duas coisas bem diferentes. A alegria vem de qualquer conquista, de qualquer vontade satisfeita, e provoca risos passageiros; a felicidade é algo bem mais profundo, que nasce e vive dentro da gente e nos traz paz, completude.

É por isso, que ninguém pode fazer alguém feliz: a felicidade não vem de nada que esteja fora de você. É preciso que você a encontre dentro de si mesmo; que a sinta em seu coração e sua alma, livre de medos, dependências e condicionamento. Ninguém é feliz, se sente que depende de algo ou alguém.

Quem é feliz sente-se livre, completo, seguro, sem medos ou dúvidas. Ao invés de pedir, oferece; longe de querer receber, sente-se bem ao compartilhar. Sabe que a semente, uma vez oferecida ao solo, germinará e se transformará em muitas outras; que, na verdade, dividir pode ser multiplicar.

É bem assim: a felicidade não pode ser dada; nem recebida.

Apenas compartilhada.

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