A FRAMBOESA DE OURO E O OSCAR
Não sei se você já percebeu.
Mas cada vida é como um filme. Você pode ser o mocinho ou a mocinha, o vilão ou a vilã. Já
recebe o roteiro pronto; mas o Diretor lhe deixa escolher as falas e até
alterar a próxima sequência.
E isto é tudo que você pode fazer. Ao final do filme, você não vai receber um Oscar, ou uma Framboesa. Só
vai ver as luzes do palco se apagando; e agasalhar-se na penumbra, até à
próxima cena.
E sabe por quê?
Porque você interpretou a você mesmo; tudo que lhe resta é aprender, para usar
melhor a sua oportunidade no próximo filme. Ele virá, com certeza, e tudo
depende de você.
Porque é isto
que todos somos: atores desfilando no palco da vida. Somos protagonistas de nossos próprios filmes e coadjuvantes nos filmes alheios, que se cruzam com as nossas vidas.
Talvez o
Universo seja como um imenso teatro, no qual desempenhamos os nossos papéis; as peças se desenrolam simultaneamente, em diversos palcos, que escapam à nossa
percepção.
Ou, talvez, em
um único palco, separadas por intervalos de tempos variáveis; quem o pode dizer? Certo, porém, é que talvez não sejamos apenas atores, e de nós dependa a
próxima cena.
Talvez o
espetáculo, que não nos pertence, tenha sido montado em função de nossas
necessidades; não aquelas que julgamos saber, mas as que precisamos de ver
preenchidas e satisfeitas.
Por que qual é o
ator que conhece a si mesmo, depois de encarnar tantas pessoas diferentes? Como
saber que não nos perdemos no último papel, que o personagem não continua em
nós?
Esta é a pergunta
que não podemos responder, de cada vez que os nossos olhos se abrem para ver um
novo cenário; que ouvimos novas questões e nossas bocas respondem a novas
pessoas.
Será que o ator
continua a ser o mesmo, em sua alma? Ou algo mudou, durante o tempo que levou o
último desempenho? Que algo do personagem ficou, que o aprendizado não foi perdido?
São as questões
que devemos levantar, em nossa alma, de cada vez que as cortinas se abrem e o
palco nos recebe, novamente. Progredimos ou regredimos? Crescemos ou encolhemos?
Porque não
devemos temer a Framboesa que, em última análise, é sempre um novo aprendizado.
Nem o nosso objetivo é o Oscar, mas a certeza de que saímos maiores; de que
fizemos o nosso melhor.
Sim, porque
cada vida é como um filme. E lembre-se de que o maior mérito não é ser premiado
por um único desempenho; nem o pior castigo é receber a Framboesa, por ter
feito um trabalho fraco.
O que importa é o conjunto da obra.



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