ERA UMA VEZ


Eu sempre amei música.

É, para mim, a rainha das artes; a que mais diretamente me fala aos sentimentos. Já tive centenas de LPs, CDs e DVDs; gravei milhares de fitas cassetes, com as minhas canções preferidas.

Com a evolução, passei a salvá-las no computador; tenho 40 gigas de músicas, antigas e novas. Gravei inúmeros pen drives e, mais recentemente, virei fã confesso do Youtube.

E foi no Youtube que achei esta canção, domingo passado. Já a tinha ouvido, mas não conhecia a letra; e, assim que a descobri, passei a gostar dela. Tanto, que decidi fazer este post.

Porque, na vida de todos nós, existe um "era uma vez"; um tempo em que a gente só acreditava, brincava e não pensava no que viria depois. Criança não tem ontem, nem amanhã; só hoje.

Por isso, é tão bom o "era uma vez". Apesar de todos os pesares que possam ter existido na época, para cada um, sempre se podia sonhar. Mas a gente não pode ser criança o tempo todo.

O que é uma pena. É muito bom acreditar por acreditar, não temer nem se preocupar com o futuro; apenas aproveitar bem o presente. Porque a vida é o maior de todos os presentes.

Brincar é preciso; e acreditar, ainda mais. Quando deixa de acreditar e brincar, o homem começa a morrer; não vale a pena viver, se a vida se torna um caminho sombrio e sem esperança.

Para ser plena, a vida deve ser uma sucessão de "era uma vez"; precisamos contar, para nós mesmos, estórias de fadas e duendes, enquanto caminhamos pela realidade do dia a dia.

Precisamos manter viva a criança em nós. É preciso manter o brilho no olhar, porque é esse brilho que se reflete em tudo que vemos; que ilumina as pessoas e as coisas que encontramos.

Amadurecer é inevitável: a vida nos cobra isso. Tudo que é vivo amadurece; mas, assim como a planta mantém firmes no chão as suas raízes, precisamos reter algo dos nossos sonhos.

Acredito que o aprendizado seja a razão de cada existência; não vejo outro motivo para caminharmos sobre a terra. Mas o aprendizado não se faz sem o lazer; há o recreio, entre as aulas.

Sejamos, pois, capazes de brincar; é a melhor forma de aprender. Continuemos crianças, no mais íntimo de nosso coração; vamos no balanço, aproveitemos a gangorra, o escorrega e o carrossel.

Preservemos a criança em nós, para cair e levantar, com um sorriso nos lábios, após o choro. E, quando a sombra da palmatória, nos ameaçar, fechemos os olhos e repitamos a frase mágica:

Era uma vez...

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